Discos da década - 3ª Parte



Terceiro post dos discos que mais marcaram a minha década. Não tenho actualizado com a frequência que desejara a início, mas irei terminar isto nas próximas duas semanas. Nomeei "álbuns que simplesmente gosto", sem terem sido essenciais na minha vida são álbuns que gosto muito de ouvir, daqueles que até sou capaz de guardar para ouvir com melhores ouvidos do que simplesmente passar em segundo plano. O primeiro que apresento desta lista é o homónimo de Dealema, um álbum de culto, muito influente no hip hop underground português, principalmente a nível nortenho. Montanhas de grupos e associaçõse foram formadas com uma sonoridade que remonta a estes Dealema e ao seu EP lançado nos já longínquos 1996. A banda mais importante no ramo em Portugal, sem dúvida. Os Madvillain são também eles um grupo de hip hop, com muito feeling jazzy mas com propensão a beats e baixos profundos com uma grande componente dançável, relaxante, groovy e delicioso, adoro este álbum, conheço-o é há pouco tempo. Yanqui U.X.O. dos Godspeed You! é um álbum post-rock que me impressionou e apresentou mais uma banda que posso vir a gostar muito neste campo. Muito variado, complexo e lindíssimo, extremamente inspirado e inspirador também. Aprovadíssimo, com uma audição apenas. Estes Analena lançaram um álbum post-hardcore sujo mas com uma voz lindíssima por cima. Já falei deles no post dos melhores de 2009, valem muito a pena ouvir. Para quem gosta de Burial ouçam este próximo álbum, Kode9 & the Spaceape é um projecto brilhante e com bastantes parecenças com o acima citado. É um álbum muito profundo de dubstep citadino, nada de clubes. Os Kafka são uma desconhecida banda portuguesa, brilhantismo neste álbum pouco compreendido e subvalorizado. É brilhante e cheio de nostalgia, ouçam (apesar de ser difícil arranjar). Largo é um álbum de jazz de composição, muito bom, com os pontos nos i's. Os Oceansize são uma banda que pratica um excelente e rigoroso Rock Progressivo com muitos elementos Spacey, muito bom este Effloresce, muito bom mesmo. Os Putiferio são uma banda que descobri ao acaso, este Ate Ate Ate é um álbum bastante engraçado de math rock sujo, muito variado e divertido de ouvir. Os Siena Root deviam dispensar apresentações, psicadelismo brilhante, aconselho vivamente este Kaleidoscope, dos meus favoritos.



The Distillers são uma das poucas bandas que ficaram dos meus tempos mais juvenis, enchem-me de lembranças e praticam um punk hardcore sujíssimo e uma voz feminina assustadora. Doppelganger é o melhor álbum dos Fall of Troy, uma técnica e brilhante composição de um monstro ao vivo. Se gostam de Hard Rock Progressivo devem ouvir definitivamente, com muitos elementos de Math Rock. Myths of The Near Future dos Klaxons é uma espécie de Guilty Pleasure que me orgulho de dizer que ouço. Sei perfeitamente que é um álbum subvalorizado, por norma etiquetado como "mau" por ser uma banda indie, no mesmo saco de outras tantas que, essas sim, são realmente más. Este álbum é, para mim, um excelente álbum, misturando uma pop bem praticada com um psicadelismo noisy e experimentalismo excelentes, tudo com conta, peso e medida. Ouçam sem preconceitos. Touche Amore é um dos meus nomes preferidos de uma banda, este álbum é dos poucos do hardcore que gosto. É mesmo muito bonito e pesado, para quem gosta de Have Heart é recomendado. Mer de Noms é o melhor dos A Perfect Circle. Soa muito a uns Tool menos complexos, mas não menos bons. Quer dizer... Nunca estariam no patamar dos Tool mas são uma boa banda e este álbum em particular é muito bom mesmo, não o percam. Beirut é um prodígio, este álbum é a sua obra prima e eu gosto muito. Já o ouvi mais vezes do que agora, talvez o volte a ouvir com a chegada da Primavera. Vale muito a pena, um álbum com sabor a folk francês muito bonito e bem feito. Traced In Air é um dos últimos pontos altos do metal progressivo, dos melhores que já ouvi em muitos anos de lançamentos. Essencial a fãs do género e variantes. Over The Under idem, stoner metal muito puxado, pesado, negro, bom bom muito bom.

Dealema - Dealema (2003)
Madvillain - Madvillainy (2004)
Godspeed You! Black Emperor - Yanqui U.X.O. (2002)
Analena - Inconstantinopolis (2009)
Kode9 & the Spaceape - Memories of the Future (2006)
Kafka - Fantôme - Intro das Waltz (2003)
Brad Mehldau - Largo (2002)
Oceansize - Effloresce (2003)
Putiferio - Ate Ate Ate (2008)
Siena Root - Kaleidoscope (2006)
The Distillers - Sing Sing Death House (2002)
The Fall Of Troy - Doppelganger (2005)
Klaxons - Myths of the Near Future (2007)
Touche Amore - ...To The Beat of the Dead Horse (2009)
A Perfect Circle - Mer de Noms (2000)
Beirut - The Flying Club Cup (2007)
Cynic - Traced In Air (2008)
Down - Over the Under (2007)

Discos da década - 2ª Parte


Nesta etapa coloquei os "Bons álbuns a que falta algo". Basicamente são discos que ouço mas que podiam ser melhores ou até clássicos se fossem menos preguiçosos. Esqueci-me de dizer no post anterior que os álbuns seguem uma certa ordem: a começar na coluna da esquerda de cima para baixo e depois para a da direita, como a lista mais abaixo sugere.

Começando por uma descoberta arriscada, chamo a isto aqueles álbuns que saco de blogues sem ouvir nada antes e sem conhecer o nome. Mas confesso que o nome me chamou a atenção, Volta do Mar é uma banda que tinha potencial mas o disco mostra alguma preguiça. Talvez se tivesse vocais fosse melhor, é uma pena mas continuo a gostar muito dele. Drugs to The Dear Youth é um EP duma excelente banda que podia ser melhor se deixasse de lado o noisy noodling, talvez demonstre falta de criatividade mas cá fico à espera de um lançamento melhor. O que dizer da Hiromi, um grande talento do jazz, impressionante técnica, muito feeling mas o disco torna-se enfadonho de ouvir do início ao fim. Recomendo muito mais que se assista a um concerto, isso sim, uma grande experiência nem que seja com vídeos. Melody Gardot tem uma história triste com final feliz, este Worrisome Heart é uma pérola que merece ser ouvida com cuidado, mas não tem muito potencial de repetição. Marnie Stern é um prodígio do Math-Z.Hill-Rock, mas é apenas mais uma a imitar o bom que se faz. Imita bem mas... Talkie Walkie e Cross são clássicos dentro do género mas que me cansam ouvir inteiros, talvez por serem muito monocromáticos, pouco variados.



Russian Circles e Mono, duas bandas de post-rock que pedem um certo mood para serem ouvidas em condições. Podiam estar bem mais acima se deixassem os clichés do género ao lado do prato, apesar dos primeiros terem uma boa componente matemática. Os Portishead anunciam com este Third um regresso sólido, mas um bocado desilusório para uma banda outrora tão perfeita. Ainda assim é sempre de audição obrigatória e recomendada. Alias é hip hop intelectual e No Age é dream pop para hipsters, ambos grandes discos. Citrus é um álbum que dantes ouvia mais, mas cansei um pouco de ouvir, talvez pela monotonia das faixas. Feels igualmente.

Volta do Mar - At The Speed of Light or Day (2001)
Tera Melos - Drugs to The Dear Youth (2007)
Hiromi's Sonicbloom - Time Control (2007)
Melody Gardot - Worrisome Heart (2008)
Marnie Stern - In Advance of The Broken Arm (2007)
Air - Talkie Walkie (2004)
Justice - Cross (2007)
Russian Circles - Enter (2006)
Mono - One Step More And You Die (2003)
Portishead - Third (2008)
Alias - Resurgam (2008)
No Age - Nouns (2008)
Asobi Seksu - Citrus (2006)
Animal Collective - Feels (2005)

Discos da década - 1ª Parte



A primeira parte de uma lista que ansiava elaborar, tarefa que se revelou muito complicada. Por isso, ao invés de uma lista com posições optei por dividir os álbuns que considero mais importantes em grupos, distribuindo-os por temáticas. É absolutamente pessoal, 100% egoísta. Este primeiro grupo que apresento é formado por álbuns que "Tendem a cair no esquecimento". Basicamente são discos que outrora ouvi bastante mas que, por razões de mudança de direcção musical, deixaram de rodar tanto. No entanto sempre que os ouço sinto aquela nostalgia, memórias que voltam. É sempre bom recordar. É o grupo mais fraco deste top 100 que ao longo destes dias vai sendo revelado, mas não deixam de ser bons álbuns. Ah, e a lista não terá mais do que um álbum por banda, se não seria injusto e ainda mais complicado.

Come Away With Me foi muito ouvido ainda antes de me virar de corpo e alma para a música, ouvido tão intensivamente que deixou de rodar de um dia para o outro. Our Earthly Pleasures igual, mas esse já foi dos meus primeiros álbuns a ouvir música de forma mais intelectual. Os tugas Riding Pânico apanharam uma fase mais post-rock que rapidamente passou devido à falta de substância das bandas que ouvi do género e Binaural foi na minha fase Pearl Jam, que durou uns 2 ou 3 anos. The Kills, The White Stripes e QOTSA foram bandas que descobri depois de me virar para a música mas a minha adoração foi desvanecendo e agora pode ser um tédio ouvi-los. Já Feeder é apenas um guilty pleasure que ouço quando o rei faz anos, apesar de ser um álbum pop rock bastante sólido.

Norah Jones - Come Away With Me (2002)
Maxïmo Park - Our Earthly Pleasures (2007)
Riding Pânico - Lady Cobra (2008)
Pearl Jam - Binaural (2000)
The Kills - Midnight Boom (2008)
The White Stripes - Elephant (2003)
Queens of The Stone Age - Songs For The Deaf (2002)
Feeder - Echo Park (2001)

Amesoeurs


Swallowed by the hive...

We, amesoeurs, are the children of this sad and metallic century; receptors capturing the aggressive and unhealthy waves of the industrial era. We have always been equally disgusted and fascinated by everything relating to cities and urban lifestyle, that is to say the endless rows of grey and threatening buildings, the throng of souls that they accomodate, the perpetual motion, the danger, the winding alleyways, the smoky and dubious bars, old graffitis, train stations, casinos and other hostile gaming rooms, the freezing neon lights, nightlife, technology, futuristic buildings, sex, depravation, poverty, anxiety, filth, the suffocating smells of pollution combined with sweat, shit and piss.

Human beings have been perverted, swallowed up by urban lifestyle, they have sold their souls cheap. We live in a hell made of metal and concrete where frightened men get lost and merge into one another like the insects of a gigantic hive. Shadows amongst shadows, they more or less carry out their shitty jobs and then drown their issues and sorrow in intoxication. Television, booze, cigs, and constrained laughs are the ways to forget...

The number of degenerates and depressives is increasing each day, narcotics are the latest fashion candies, streets are swarming with junkies and repulsive hobos, AIDS has infiltrated syringes left on public benches. It flows along with drugs, sperm and tears into the veins of the Metropolis.

We are neither intellectuals nor politicians and don't have any message to pass on. We just want to FEEL, contemplate and ECHO the sound that the modern world and its absurdities have inspired us with.

Amesoeurs is a spit, the only way we have to spew out the anxiety and frustration tied to the difficulties of existence and the pursuit of happiness in our modern society.

Breve história discográfica: Formados em 2004, os Amesoeurs lançam um EP 2 anos depois. Chamado Ruines Humaines é fantástico, contém 3 músicas belíssimas que iriam definir o estilo da banda para a posteridade: um shoegazing com muitas nuances black metal, ao bom estilo Alcest mas mais directo e muito post-punk. São bandas parecidas por causa de Neige, membro de ambas, mas têm sonoridades distintas, com direcções diferentes. Pouco depois lançam um split com os Valfunde, o qual ainda não ouvi. Em 2009 lançaram um LP homónimo brilhante que fecha o ciclo da banda, uma vez que acabaram. A razão.


2010


Pessoas que seguem o blogue ou que estão só de passagem, desejo-vos um excelente 2010 e, para abrir bem (ou mal) o ano, apresento-vos finalmente a notícia de que o meu álbum está pronto e disponível para download no site do meu projecto: http://maindish-band.blogspot.com/

Gostava muito que os que ouvissem dessem a opinião, é o meu 3º registo e contém vocais. Espero que gostem tanto dele como eu.

Um abraço a todos.

2009

A minha lista de preferências do ano passado parecia já definida à partida: tudo parecia encaixar correctamente nos lugares merecidos. Contudo, este ano senti uma dificuldade incrível em fazer este top, tanto é que acho que há álbuns que estão demasiado abaixo. Mas não se deixem levar por isso, é mesmo por que acima estão álbuns excelentes. Todos os álbuns deste top 20 são de nota 9/10 para cima, são excelentes e eu adoro-os, mas tinha de os colocar em alguma ordem, por isso foi esta que ficou. Ouçam todos, valem a pena.


#01 - Cryptomnesia
El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez
(math rock, noise rock)

Para mim o álbum mais refrescante do ano. Foi também o que mais ouvi, é genial do início ao fim, uma velocidade estonteante, corre tudo a uma rapidez tão grande que à primeira não vão captar nada. São precisas algumas audições para as coisas começarem a fazer sentido, mas quando começam, o puzzle começa a ser visível além do emaranhado de peças. É absolutamente genial, deixem-se levar pela energia da batida frenética de Zach Hill e da qualidade assombrosa dos riffs do Omar. E as letras são as mais estranhas de sempre. Tudo perfeito, tudo.

#02 - Amesoeurs
Amesoeurs
(shoegaze, black metal)

Um álbum com uma beleza interior que em poucos é encontrada. Uma qualidade melódica sublime, numa espécie de re-encarnação de Alcest só que com uma componente black metal mais distinguível. Ainda assim, os vocais femininos existentes são (a par com a voz de Analena) a coisa mais doce que ouvi este ano e estou completamente apaixonado por todas as melodias que ouvi daquela voz. Se fossem todas as músicas assim era um álbum perfeito. Assim, não o é.


#03 - Great Lenghts
Martyn
(electrónica, dubstep, drum 'n' bass)

O meu álbum de electrónica do ano. Não ouvi muito mais que isto, mas este registo é absolutamente fascinante: as melodias, os ritmos dubstep orientados por um drum 'n' bass controlado e preciso, a inovação, o rigor. Quando achava que o dubstep além do Burial era uma miragem, aparece Martyn para me abrir o horizonte. Excelente.


#04 - Crack The Skye
Mastodon
(progressive metal, sludge)

Não gostei nada deste álbum quando o ouvi as primeiras vezes: soou-me aborrecido, sem interesse. Confesso que talvez não estivesse com disposição para ouvir rock progressivo numa época mais sentimental, mas o que é facto é que aposte no Blood Mountain e adorei. Contudo a história mudou, adoro agora este álbum, apesar de não ter a energia do antecessor, é dos registos mais ricos e com mais qualidade que ouvi deste ano. A banda mostra uma mudança repentina de direcção, deixando de lado alguns clichés do sludge e apostando nas características mais genéricas do Rock Progressivo, mas tudo isto sem perder uma base de fãs que se tem solidificando ao longo dos anos. É a diferença entre mudar e saber mudar para melhor.


#05 - In Prism
Polvo
(math rock, noise rock)

Um rock diferente: os Polvo são conhecidos por terem criado uma sonoridade que posteriormente se apelidaria de Math Rock. Isto em meados dos anos 90. O que vêm eles fazer agora? Bom, uma reunião que mostra que a creatividade não se perdeu, muito pelo contrário: este é o álbum mais forte que ouvi deles. É bem provável que tenha das melhores músicas do ano, os riffs surgem uns atrás dos outros, com ritmos perfeitos a acompanhar. Dão aulas a muitos que andam aí a repetir fórmulas.


#06 - Part The Second
maudlin of the Well
(progressive rock, neo-classical)

Se tivesse que escolher o álbum com melhor qualidade, seria sem dúvida este. Os motW voltam depois da pausa que originou os Kayo Dot (espera-se álbum novo deles a sair no início de 2010, já agora), pausa essa que foi excelente, diga-se. Esta grupo renasce para deixar esta pérola progressiva muito bonita, com excelentes momentos e passagens que valem ouro. Não há clichés, é tudo muito bom. Recomendado a qualquer pessoa, sem dúvida.


#07 - by-
Bygones
(math rock, noise rock)

Falando em clichés no Math Rock, admito: este álbum é o poço deles. A fórmula que tem sido repetida até à exaustão por Zach Hill e amigos está integralmente presente neste álbum. Contudo, não estaría nesta lista se a história assim acabasse. Apesar de tudo o que disse atrás, eu adoro completamente este álbum. É uma parceria entre o Zach e Nick Reinhart (guitarrista dos Tera Melos), ou seja, tinha de sair genialidade. Para mim este é dos álbuns que tem as melhores melodias a nível instrumental dos últimos anos no género e é sem dúvida o melhor registo do género, conseguindo rivalizar com o Hold Your Horse Is, dos Hella. Sim, é assim tão bom. E não só: apesar da barafunda toda, consegue ser incrivelmente viciante, não percebo o efeito que este álbum causa em mim. É de génio.


#08 - Bitte Orca
Dirty Projectors
(math pop, folk)

Ao início, a creatividade vocal presente neste álbum impressionou-me bastante, mas impediu-me de ver além. Só com mais audições em cima e muito mais cuidadas é que me apercebi que tínhamos aqui um álbum com grandes raízes num rock matemático altamente creativo e refrescante, como não tenho ouvido em largos tempos. Melodias limpas, tudo muito pop mas complexo o suficiente, mantendo assim um equilíbrio perfeito entre o que é gostável e o que tem qualidade. Impressionante.


#09 - The Eternal
Sonic Youth
(noise rock)

Se dou na cabeça das minhas bandas de eleição que ao tentarem mudar me causam um grande desgosto, tenho também de dar graças por existirem bandas que nunca envelhecem, mesmo que se mantenham fiéis às suas raízes, ao que os fãs vêm neles. Este é o caso dos Sonic Youth: uma banda com mais de 20 anos que pratica do melhor rock que se ouve nos dias de hoje, continuando jovial, no bom sentido, e nem parece que já estão na casa dos 50.


#10 - Popular Songs
Yo La Tengo
(shoegaze, indie pop, noise rock)

Mais uma banda da grande fornada dourada do indie noise da ressaca pós-80's. Os Yo La Tengo praticam um noise inconfundível, extremamente melódico e com grande sentido pop. Nunca desiludindo, lançam assim um álbum sólido com grandes canções inspiradíssimas e facilmente adoráveis. Do pouco que ouvi deles, está próximo do melhor.


#11 - Inconstantinopolis
Analena
(post-hardcore, screamo, emo)

Esta era a outra voz feminina que me faz bater o coração mais rápido. Nunca ouvi berros tão delicados e doces num post-hardcore de guitarras distorcidas e produção menos cuidada e suja, o que se pede no género. Revejo muito do emo que se praticava nos primórdios, o bom emo. É sem dúvida um álbum fabuloso com uma das melhores músicas de abertura do ano.


#12 - The Babel Inside Was Terrible
We Insist !
(post-hardcore, math rock, alternative rock)

Tive opurtunidade de ouvir o álbum uma vez mas chegou para ver o potencial que aqui se apresenta. Ouvi com muita atenção e adorei o que ouvi, não se tornou maçador a nenhum nível, sempre muito creativo e diferente, importância dada a pormenores de qualidade extrema. Tenho pena de só os ter conhecido agora, mas fica o incentivo para que o conheça ainda melhor. Se tivesse que o descrever seria algo como uma fusão entre At The Drive-in e These Arms Are Snakes, quase quase Mars Volta, tudo com os pontos nos i's. Gritante o desconhecimento por esta banda por parte do público.


#13 - Take Off!
Andromeda Mega Express Orchestra
(jazz, neo-classical, avant-garde)

Este álbum é muito bom em qualidade, gosto da forma como cada instrumento tem uma personalidade própria, sendo protagonistas deles próprios, assim como todas as melodias são captadas numa panóplia de pormenores de grande classe de composição. É, sem dúvida, dos álbuns com mais qualidade que ouvi este ano, mas o que me afastou de gostar mais dele foi o gosto a banda sonora que o assombra. Mas isso é problema meu de não gostar, mas de resto adorei o feeling jazz com travos de música clássica muito bem escrita. Recomendadíssimo.


#14 - Selected Passive Drones Part II: Organic Journey
Kiran Leonard
(drone, rock experimental, avant-garde)

Cabe-me a mim divulgar este álbum que me surpreendeu, não só por saber que o seu autor tem 13 anos, mas também por ele tocar todos os instrumentos, incluindo bateria. É um álbum com qualidade soberba, debatendo assim o meu favoritismo com álbuns de bandas como Isis, Men Eater ou Dinosaur Jr. É muito interessante todos os sons captados nesta autêntica "viagem" no mundo de Kiran Leonard, um álbum que se apresenta conceptual e que mostra uma grande evolução sonora dividida em duas faixas de 30 minutos de boa música com influência de bandas tão distintas como Godspeed You! Black Emperor e The Mars Volta. Fosse de uma banda profissional ou de um músico de secretária, este álbum estaría aqui de qualquer maneira.

Disponível para download grátis.

#15 - Vendaval
Men Eater
(sludge metal)

O único álbum português que ouvi deste ano. Culpa minha? Talvez culpa da escassez de lançamentos que me entusiasmassem este ano. Confesso que estive mais ocupado em investigar álbuns portugueses mais antigos, mas pelo que vi do que foi feito nada me chama a atenção. Isto é Men Eater, um pouco diferente desde Hellstone mas mais enérgico, menos maturo, mais experiência e mais Mastodon. Esta banda segue uma rota que pouca coisa os fará travar até serem uma das melhores bandas no panorama nacional.


#16 - Wavering Radiant
Isis
(post-metal, sludge metal, progressive)

Das poucas bandas, se não a única, de post-metal que continuo a ouvir, os Isis deixam-me com um álbum que ouvi muitas vezes mas ainda não entranhou. Não nego a qualidade, muito pelo contrário. Simplesmente encontro pouca coisa que se adeque ao meu gosto neste último registo, preferindo assim ouvir e dissecar melhor os anteriores. Guardo este para um futuro próximo onde o vou ouvir as vezes necessárias.


#17 - Life of Leisure
Washed Out
(dream pop, electrónica)

Talvez este álbum estivesse mais acima caso eu não tivesse tido uma crise de vício e o ouvisse até me fartar. E como é uma sonoridade muito dreamy e pop, há sempre um grande risco de enjoar. Foi o que aconteceu, ainda adoro o álbum mas muito menos do que quando o ouvi as primeiras vezes. É por isto que recomendo a todos, é maravilhoso ouvir isto com o Inverno mas estou ancioso para o experimentar numa praia.

#18 - Farm
Dinosaur Jr.
(noise rock, alternative rock)

Mais uns veteranos a dar cartas, os Dinosaur Jr. apresentam o rock do costume, sem tirar nem pôr. Talvez repetindo uma fórmula gasta para os fãs, mas nunca baixando qualidade, muito pelo contrário: este álbum impressiona-me como é que com o passar dos anos ainda existe uma chama tão grande e poderosa dentro duma banda com um peso da idade enorme. Parece que a gravidade anda com os valores em baixo para estes lados.


#19 - Manners
Passion Pit
(indie pop, electrónica)

Um álbum que ouvi pouco, mas quando ouvi as melodias captaram-me uma grande atenção. Do melhor que se faz num género genérico e aborrecido, inseria-os talvez na onda dos Washed Out, talvez por os ouvir nas mesmas ocasiões.

#20 - Films
Yuki Murata
(piano, neo-classical)

Este é um álbum instrumental de piano com melodias de uma beleza imaterial, vale muito a pena ouvir em momentos mais nostálgicos mas deixando-se levar pelos pensamentos, não tanto pela música em si. Não lhe dêm demasiada atenção, ele não pede nem quer.



Menções Honrosas

Alcest/Les Discrets - Split Vinyl

Um registo muito esperado da minha parte que não me desilude mas deixa a salivar por mais. Talvez por ser curto, talvez por Alcest ter apenas duas faixas em que uma parece um left-over de Amesoeurs (muito bom por sinal, apenas é negativo por ter a sonoridade característica de Amesoeurs, e como a banda já acabou suponho que o Neige tenha aproveitado esta música) e a outra sendo apenas uma faixa de transição, talvez por a última música ser uma Demo. O que é certo é que é um álbum que me vai fazer ouvi-lo muitas vezes porque tem realmente momentos belíssimos, mas deixa-nos à espera de algo maior, ao que já estamos habituados. Resta esperar pelo álbum de Alcest que está aí a chegar, assim como o concerto em Braga.

The Pains Of Being Pure At Heart - The Pains Of Being Pure At Heart

Gostei muito deste álbum ao início, mas rapidamente o fulgor inicial foi apagado e apenas duas músicas são ainda relembradas nos dias de hoje, e uma delas já me cansei de a ouvir. Se todos os álbuns assim fossem, não havia álbuns históricos: tudo caía no esquecimento.

Of One Mind - Of One Mind EP

Já tinha escrito sobre este registo: adoro muitas músicas lá incluídas e gosto muito das outras, mas peca grandemente por ser todo ele sintetizado por um programa de computador, tornando-o demasiado virtual, principalmente para mim que trabalho com o mesmo programa todos os dias. Cansa-me ouvir por essa razão, mas adorava que estas músicas fossem um dia re-gravadas num estúdio a sério, com instrumentos a sério e com músicos a sério. Era uma perda muito grande se não acontecesse.

Sights & Sounds - Monolith

Só ouvi este álbum uma vez mas chegou para ficar elucidado, tem qualidade e potencial, mas ainda não tive curiosidade de o ouvir de novo. O que captei da audição foi que tem garra e qualidade, simplesmente não me cativou o suficiente.

Pearl Jam - Backspacer

Este álbum está aqui em homenagem a uma banda que consegue manter a qualidade sempre em cima apesar dos anos de carreira e constantes mudanças de sonoridade. A aposta de um lado mais pop neste álbum não me afasta mas também não me cativa. Tem músicas muito engraçadas e gostáveis mas fica por aí. Bastante bom ainda assim, a re-ouvir no futuro.

Mono - Hymn To The Immortal Wind

Um álbum que tenho alguma pena de não compreender mas que rapidamente concluo que não é culpa minha. É um álbum muito emocional, com melodias fantásticas, mas que num todo soa extremamente repetitivo pois as composições escritas são aplicadas todas da mesma maneira, a mesma fórmula para todas as faixas: tremolo picking com grande reverb e um violino a acompanhar a mesma melodia. De vez em quando entra a bateria a fazer um build-up onde se repete até à exaustão a mesma melodia arrastada e lenta, o grande cliché do post-rock. A pretenciosidade de soar bonito sai caro numa banda que não vai mais além devido ao uso já estipulado dos instrumentos.

BLK JKS - After Robots

Ouvi este álbum as vezes suficientes para saber que é interessante mas que falta alguma magia, tirando "Lakeside" que é uma das músicas do ano. Pode ser que gostem, eu achei um bocado chato. Apesar de tudo, merece a menção.


Obscura - Cosmogenesis

Desde quando é que ouço Death Metal? Desde que deixou de ter o que menos gosto para ser algo com sentido matemático e prefeccionista, músicas acessíveis num álbum onde a técnica impera, mas controlada pelo sentido melódico.

Thursday - Common Existence

Ouvi este álbum no início do ano, quando saiu, e gostei bastante. Achei demasiado puxado nas primeiras audições e desisti de insistir nele. Apesar de tudo, ainda me lembro de algumas passagens que adorei e que tenciono voltar a ouvir.

Avatar


Após vários meses de Ramadão (quem sabe anos, até acho que foi a primeira vez este ano) fui ao cinema. Breve: Gostei do conceito, achei interessante conhecer um ponto de vista diferente sobre o futuro e sobre o que acontecerá se acharem vida noutro planeta. Espero, com base pura na moral, que tal aconteça quando já não estiver vivo, com muita pena minha pois sempre nutri grande interesse pela Astronomia. Mais, excelentes efeitos especiais, mas nunca deixando que isso se tornasse na base principal do filme. Bem feito.

Richard D. James


Sinto-me finalmente seguro para falar deste génio, para mim o maior da electrónica. Tendo uma discografia bastante extensa, ainda não explorei nem 1/5, e tenho a certeza que ainda haverá muitas pérolas a descobrir. O trabalho dele pode-se dividir em 3 grandes grupos, os quais vou tentar resumir.

Aphex Twin é o nome mais conhecido dele, todos os grandes êxitos foram lançados sob este nome artístico. Tem 5 LP's, os quais recomendo todos. "Selected Ambient Works 85–92" é o meu favorito, é um álbum excelente, não só para o contexto temporal em que foi criado mas mesmo nos dias que correm não encontro álbum que o supere. É, dentro do que pode ser chamado de Aphex Twin, o seu álbum mais calmo, tendo tido grande influência na música techno nos anos seguintes. É um álbum multifacetado: tanto podem dormir com dançar ao seu som (melodias dreamy com batidas em ácidos?). "Selected Ambient Works Volume II", apesar do nome, não é uma continuação do anteriormente referido. É um álbum de ambiente total, só se ouve um beat numa música e é mesmo laid-back, nada a que estejamos habituados a ouvir dele. É um álbum bom para ouvir em termo secundário: não cometam o erro de o ouvir no mp3, ouçam-no pc quando quiserem fazer algo que vos mantém bem distraídos. "...I Care Because You Do" é um LP completamente louco, mas que consegue ter momentos mais ambientais como os anteriores. É muito bom e vale a pena, mesmo não sendo dos melhores dele. "Richard D. James Album" foi o primeiro que ouvi completo, é breakcore cortante do início ao fim: brutal, ofegante e bonito, muito melódico. Pode ser curto mas adequa-se à sonoridade pesada. Aconselho vivamente. Por fim, "Drukqs" foi o que menos gostei ao início, mas acabou por ter um final feliz. É talvez a mistura de todos os álbuns dele: contém muito breakcore, ambiente, noise, ácidos a rodos. Vale definitivamente, apesar de longo.
Depois têm os Ep's que têm a maioria dos grandes hits. Podem ouvir intensivamente os seus LP's, idolatrá-los, mas irão estar a perder grandes músicas como Windowlicker, Come to Daddy, Girl/Boy, Donkey Rhubarb, On (e respectivos b-sides) se não decidirem explorar este lado. Aconselho vivamente que ouçam todos os Singles e EP's sem grande compromisso. Irão concerteza encontrar faixas que gostam menos e outras que gostam mais.

Outra vertente desta personagem é chamada de AFX. Muito menos conhecida que Aphex Twin, esta caracteriza-se por ter uma vasta colecção dos seus primeiros sons, onde tinha grande espaço para a experimentação a nível de noise electrónico. A direcção deste projecto é comparável ao "Selected Ambient Works 85–92", onde se pratica um acid-techno bastante dreamy. Sem qualquer objectivo em criar registos coesos, em AFX encontramos grandes pérolas escondidas que valem sem dúvida a pena quando descobertas. Sabe sempre bem ouvir, mais uma vez, com pouco compromisso. Pequenos - exemplos - de músicas - enormes.

Por último temos os outros projectos que ainda não tive muito tempo de explorar, mas que valem com certeza a pena, pelo que ouvi de Caustic Window e de GAK. São nomes que usa para expôr as suas experimentações menos cuidadas, dedicadas a ouvintes mais curiosos e aventureiros. Ainda assim, de grande qualidade.

Mixtape #002 - Sad Songs for Sad Lovers



Segunda mixtape, desta feita a representar uma pequena escolha de uma grande lista de canções que apelam para um lado emocional e mais triste. (link na capa)

01 - Kayo Dot - Immortelle And Paper Caravelle
02 - Amesoeurs - La Reine Trayeuse
03 - Slint - Washer
04 - The National - Karen
05 - Have a Nice Life - I Don't Love
06 - Swirlies - Wait Forever
07 - Yo La Tengo - I Heard You Looking

Mixtape #001 - Biblical Violence


Apresento uma nova característica da casa. Decidi há dias que, quando tivesse tempo, ía começar a fazer umas compilações com músicas para o pessoal sacar. Cada uma centrar-se-à num género específico, podendo um género ser repetido noutra mixtape mais à frente, como é óbvio. Para primeira escolhi músicas de Math Rock que se caracterizam pela sua componente Noisy. Serão sempre 7 faixas que escolhi entre os meus álbuns preferidos de cada género. Será assim fácil descobrirem cenas que gostem e é sempre bom para divulgar bandas.

Espero que apreciam e deixem feedback ou sugestões. (link na capa)

01 - Putiferio - Aristocatastrophism
02 - Bygones - Fool Evolved
03 - Lightning Bolt - Assassins
04 - Zach Hill - Dark Art
05 - Marnie Stern - Put all Your Eggs in one Basket and Then Watch That Basket!!!
06 - El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez - Half Kleptos
07 - Hella - Biblical Violence

Les Discrets



Cantado no dialecto romântico, Les Discrets são uma banda relacionada com os Alcest. Tocam um shoegazing doce, com espontaniedade post-rock e alguns ritmos post-punk. Só está disponível na internet um demo que à partida é apenas um rip não-oficial das músicas que estavam no myspace da banda. As melodias são lindas, todas as músicas valem a pena, mas sabe a pouco por enquanto, claro... a qualidade não é extraordinária. Tinham álbum agendado para Outono de 2009 mas "i'll not be able to finish the artwork of the album and I'm even not fixed on the cover art. We are speaking about a very very very beautiful packaging and booklet and we prefer to wait rather than doing something mediocre. Prophecy and I decided to delay its release date to January / February 2010" e vão lançar um split com os Alcest com data por decidir, mas já está gravado.

PORTANTO, é ficar de olho neste nome e sacar o tal EP, os interessados (só tem 18 minutos e é lindo).



Hazel


Muito bom, há quem lhe chame grunge. Pessoalmente noto alguns elementos do som do movimento na banda, mas é algo entre o Noise Pop e o Rock Alternativo dos anos 90. Entre uns Sonic Youth e Dinossaur Jr talvez, mas mais do que uma simples mistura destas duas bandas: músicas com personalidade, viciantes e bem construidas e variadas, apesar de nunca fugir às origens. Recomendo o álbum que conheço a fundo, "Toreador of Love" mas também já ouvi o "Are You Going To Eat That" e gostei bastante. Só têm estes dois, é pena. É aproveitar o que têm e ouvir as bandas parecidas se houver interesse: Love Battery, Seaweed, entre outras.

Comet

Faltam 2 dias

http://beautifulnoise.files.wordpress.com/2008/11/isis_band.jpg

2009, so far

01 - Amesoeurs - Amesoeurs
(Shoegaze, Black Metal, Post-Rock)


02 - Polvo - In Prism
(Math Rock, Noise Rock)

03 - El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez - Cryptomnesia
(Math Rock, Psychedellic, Noise Rock)


04 - maudlin of the Well - Part The Second
(Progressive Rock, Avant-Garde)

05 - Martyn - Great Lengths
(Electronica, Dubstep, Drum 'n' Bass)

06 - Washed Out - Life of Leisure
(Electronica, Dream Pop)

07 - Bygones - by-
(Math Rock, Noise Rock)

08 - Mouse On The Keys - An Anxious Object
(Jazz, Math Rock)

09 - Men Eater - Vendaval
(Sludge Metal)

10 - Isis - Wavering Radiant
(Sludge Metal, Post-Metal, Progressive Rock)

11 - Andromeda Mega Express Orchestra - Take Off!
(Avant-Garde, Jazz, Neo-Classical)

12 - Sonic Youth - The Eternal
(Noise Rock, Alternative Rock)


13 - Ahleuchatistas - Of The Body Prone
(Math Rock, Avant-Prog)

14 - Mono - Hymn To The Immortal Wind
(Post-Rock)

15 - Dirty Projectors - Bitte Orca
(Alternative Pop)

16 - BLK JKS - After Robots
(World Music, Alternative Rock)

17 - Passion Pit - Manners
(Pop, Electronica)

Ainda não tive tempo de ouvir: 10-20, Aethenor, Afterlives, Alamaailman Vasarat, Aluk Todolo, And So I Watch You From Afar, Animals as Leaders, Austere, Baroness, Blindfold, Blut Aus Nord, Ceu, Cheb Khaled, Children Of Nova, Cristina Branco, Dinosaur Jr., Eluvium, Falty DL, Fen, Geskia, Greymachine, Jesu, João Picoito, Lightning Bolt, Löbo, Long Distance Calling, Louis Sclavis, Mastodon, Nihternnes, Ochre, Ojos De Brujo, Om, Omar Rodriguez-Lopez, Orthodox, Parov Stelar, Pelican, Porcupine Tree, Rega, Russian Circles, She, Sights and Sounds, Sleeping in Gethsemane, Sólstafir, SPC ECO, Sweet Trip, Teeth of the Sea, The Fall Of Troy, The Naked Future, Thrice, Thursday, Tombs, Wolf Eyes, Zu.

Porque é que nunca tinha postado este texto?


Depois de ter finalmente chegado ao fim duma saga que tem uma história muito melhor que a grande maioria dos livros, filmes e séries que vemos no dia-a-dia, decidi escrever sobre um dos assuntos que mais me dá que pensar e reflectir. Metal Gear Solid impressiona, com a sua imersiva, cativante, complexa, fascinante e emocionante história, superior a do que diria 99% dos filmes que saem no cinema. Não é exagero, só quem nunca jogou este jogo é que desmente. Ou então não lhe prestou minimamente atenção. Um enredo ultra-complexo: cada personagem é diferente, cada uma tem os seus segredos, objectivos, vidas que são contadas e narradas ao longo de cutscenes de maneira a fazer lembrar a 7ª arte. Aliás, é nisso em que Hideo se baseia, fazer aproximar um videojogo o máximo possível ao cinema, notam-se muito bem os melhores traços de Hollywood. No capítulo que joguei hoje, o 4º, diz-se que é o último, foi uma das melhores experiências que tive, tendo-me emocionado no fim, inclusivé. Não é a primeira vez num jogo, mas... é complicado. São raros os filmes que me fazem chorar, 1 em 200 talvez.


Infelizmente pouca gente vê este tipo de obras como "arte", mesmo grande parte dos próprios programadores vêm os videojogos como entertenimento. Ora, há jogos que servem para isso como jogos de desporto, corridas, jogos com violência gratuíta (nem todos, óbvio); mas há também um grupo, antigamente muito selecto, de jogos que são sem dúvida peças de arte
autênticas, os quais comparo aos melhores filmes, séries e livros. Obras escritas por verdadeiros génios. Metal Gear Solid, Shadow of The Colossus, Indigo Prophecy, Half Life, Ico, Fable, Zone of The Enders, Mirror's Edge, sei lá, a lista continuava MUITO. Com a grande procura, a oferta tende a ser cada vez de maior qualidade, eu próprio vejo grandes dificuldades em acompanhar certos lançamentos pois os jogos são cada vez maiores e mais complicados de jogar, exigem cada vez mais atenção do jogador, o que se torna complicado e por vezes maçador.

Assim como há gente que ouve música comercial e fácil, a maior parte das pessoas que compram uma consola para jogar, não é pela arte mas sim para passar o tempo, e depois dizem que este jogo é melhor que aquele porque se mata mais gajos e tem mais sangue, ou então porque tem mais clubes e tem a finta nova do CR7. E depois defendem com unhas e dentes jogos sem substância, feitos apenas para venda e lucro, assim como as pessoas sem cultura musical defendem um Tony Carreira ou uns D'ZRT. Não os julgo, afinal de contas o mercado dos videojogos sempre serviu para isso, divertimento, entertenimento. E eu próprio os jogo, Fifa, Gran Turismo ou Virtua Tennis hão de fazer parte da minha prateleira para sempre. Mas os tempos mudaram, e os jogos tornaram-se uma forma de arte, uma maneira diferente de a encarar. É preciso que haja mente aberta para o entender, pouca gente a tem, principalmente porque vê os gamers errados, não entendem. Comparo isso aos cépticos em relação à música actual: vêm a MTV e pensam que a actualidade musical não presta, esquecendo completamente outras bandas que possam existir, no Underground e não só, basta perder 15 minutos na net e encontra-se uma panóplia de grandes bandas que ainda o fazem pela arte. É assim, existe muito preconceito contra os gamers, mas ainda tenho esperança que algo mude.

Divagações


Faltam 10 dias para o 3º aniversário do lançamento da PS3. 30 milhões de consolas vendidas depois e ainda vi nenhum jogo a mudar o panorama dos videojogos, como fizeram muitos outros na geração anterior.

Flashback:
SSX (2000), Timesplitters (2000), GTA 3 (2001), Metal Gear Solid 2 (2001), Ico (2001), Rez (2001), Airblade (2001), Zone of The Enders (2001), Onimusha (2001), Red Faction (2001), NBA Street (2001), Gran Turismo 3 (2001), Silent Hill 2 (2001), Devil May Cry (2001), Burnout (2001), Half Life (2001, 1998 no PC), Max Payne (2001), Deus Ex (2002, 2000 no PC), Agressive Inline (2002), Stuntman (2002), Wipeout Fusion (2002), SOCOM (2002), Kingdom Hearts (2002), Tony Hawk's Pro Skater 4 (2002), Ratchet & Clank (2002), Medal of Honor: Frontline (2002), SSX 3 (2003), .hack//Infection (2003), The Getaway (2003), Splinter Cell (2003), Beyond Good & Evil (2003), Manhunt (2003), Need for Speed: Underground (2003), Prince of Persia: The Sands of Time (2003), True Crime: Streets of LA (2003), XIII (2003).



Pequena cronologia dos 3 primeiros anos de vida da PlayStation 2, A consola. Qualquer título destes mudou algo, todos têm uma característica especial que os diferencía, lhes dá personalidade. Muitos deles são mais do que uma pequena característica: são autênticos mundos de creatividade por parte de quem os criou. O que falta aos produtores de hoje? Porque são tão escassos os jogos verdadeiramente inovadores, imersivos, viciantes, perfeitos, refrescantes e, principalmente, com personalidade como os da lista acima? Se tivesse que enumerar bons jogos para a PS3 nascidos nestes 3 anos, faría uma lista de, com sorte, 10 títulos e, provavelmente, não trocaria a minha PS2 para os poder jogar. Falta-lhes a magia de outrora, a novidade, a imaginação. Só se fazem remakes, não literalmente, o que é pena. Para remakes preferia que fosse mesmo no sentido literal da palavra. Preferia jogar um remake de Tony Hawk 4 do que jogar o mais recente título da mesma série (Proving Ground) e ainda por cima avizinha-se um grande falhanço ou o melhor jogo de sempre: Ride, da mesma série, que vai apostar num periférico em forma de skate para jogar. Em termos de qualidade será ou 8 ou 80. Do mesmo género temos, esse sim um jogo inovador, Skate da EA. Skate apresenta uma jogabilidade diferente do que estávamos habituados pela série TH, um realismo rígido mas que rapidamente faz sentido. Porém, era completamente fazível na PS2. Justifica-se a mudança de geração?



Apenas um pequeno exemplo de declínio de qualidade numa série, podía ter escolhido muitos outros. Jogos PS3 de séries já conhecidas por jogadores dedicados temos Metal Gear Solid 4 que é o melhor jogo da consola, até agora, mas que é ultrapassado largamente pelo 2º título da série que já conta com 8 anos de vida; GTA 4 é um mundo interactivo cheio de coisas para fazer mas os 3 títulos da série na PS2 mostraram muito mais novidades e com um maior grau de qualidade; Resident Evil 5 é apenas um upgrade de Resi 4; Gran Turismo continua igual; Need For Speed: Shift apresenta agora uma novidade na série, mas demasiado batida por outros jogos. Apesar de tudo, é um conceito interessante, mas, mais uma vez, pior que títulos anteriores da série (que está em declínio desde Most Wanted) ; Colin McRae Dirt é o mesmo jogo de rally mas com gráficos ultra-realistas; Def Jam é uma franchise arruinada pelo título mais recente, assim como NBA Street e Fifa Street, todos títulos da EA; Killzone 2, um raro momento em que a série melhorou com a mudança de geração, mas a tarefa não era difícil; Burnout Paradise está uma merda no seu estado mais puro.


Franchises exclusivos PS3 temos Mirror's Edge, que joga ambicioso mas falha na concretização; Assassin's Creed que concretiza bem mas tem muitas arestas por limar, apesar do conceito excelente; Dead Space que joga bem mas tira demasiadas ideias a Resi Evil 4; Bioshock é um excelente título mas mais dedicado ao PC;
Motorstorm é um bom exclusivo PS3 mas peca pela falta de imersão, longevidade e elevada repetitividade; Heavenly Sword é razoável mas curto e pouco imaginativo.


Esclarecendo: a culpa não é da Sony nem da PS3. É uma consola excelente, um hardware potentíssimo, melhor que qualquer PC de secretária. Tem um grande potencial, podemos fazer qualquer coisa com ela. É também uma delicia para os olhos e é um orgulho tê-la. Pedem-se é títulos de qualidade, nomes que me façam apaixonar novamente por este mundo, me façam ficar a jogar um jogo uma tarde inteira, jogos que me façam jogá-lo até ao fim mais de 30 vezes como fiz com MGS2. Jogos que abalem uma indústria, como GTA 3. Peço uma sequela de SSX, mas se for para arruinar estejam quietos.

PlayStation 2 > PlayStation 3 <=>
<=> PlayStation 2 > PlayStation 3 <=>
<=> 2 > 3

doismileoito em doismilenove

Muita coisa pendente deixei de 2008. Problemas meus que pensava estarem resolvidos acabaram por se tornar assombros neste ano mais atribulado que tudo. Mas quando pensava que 2008 era uma mancha em 2009, aparecem-me pérolas, sobras que passaram despercebidas mas se revelam boas surpresas. Aqui deixo duas dicas de excelência que ficaram por apresentar do ano passado.


Descobri há uma semana esta banda, Putiferio. Uma influência leva a outra, uma banda leva a milhões. O noise rock praticado no início dos 90's, bem polido com futura influência sónica no Math e no Post-Rock praticado com exagero na década seguinte. Estes recuperam um som Polvo-ish para o destilarem com um Post Hardcore agressivo, às vezes screamo? Vale muito a pena, a energia transparece bem e ainda me falta muito para o apreciar em termos. Era menino para entrar na lista de melhores do ano.

Esta foi ouvida pela primeira vez hoje. Está fresquinho ainda, mas enquadra-se naquele grupo de Hip Hop com qualidade. Muito old-school, um jazz-hop altamente relaxante e com suavidade R'n'b por vezes. Excelentes instrumentais, molhados num ritmo hip hop jazzy, com melodiosas linhas de instrumentos negros que se espalham no groove do álbum. Tenho pena que as letras arruinem completamente o álbum: é um conceito tributo ao jazz, música negra e à junção destas com outra música negra, o Hip Hop. A junção de meios de revolta de uma raça discriminada até há bem pouco tempo. Os vocais são praticamente relatos de como os convidados que cantam nas músicas gostam de jazz e de hip hop, odiei completamente. Podiam ter aproveitado a ideia mas fazer letras mais elaboradas, e mais vocais ritmados eram much apreciated. Ainda assim, do melhor que ouvi no género.

Guilty Pleasures?


Katy Perry - If You Can Afford Me
Kid Cudi vs. Crookers - Day 'n Night
Fort Minor - The Hard Way
The xx - Crystalized
Slimmy - Self Control
Those Dancing Days - Shuffle
Agir - Wella
Ray J - One Wish
Passion Pit - The Reeling
Modjo - Chillin'
Lady Gaga - Just Dance

Que me lembre, só merda.

2009

A ouvir, se tiver tempo:

10-20 - 10-20
A Place To Bury Strangers -
Exploding Head
Aethenor -
Faking Gold and Murder
Afterlives -
A Ticking Clock I Couldn't Stop
Alamaailman Vasarat -
Huuro Kolkko Aluk Todolo - Finsternis
Amesoeurs -
Amesoeurs
And So I Watch You From Afar -
And So I Watch You From Afar
Animals as Leaders -
Animals as Leaders
Austere -
To Lay Like Old Ashes
Baroness -
Blue Record
Blindfold -
Faking Dreams
Blut Aus Nord -
Memoria Vetusta II Dialogue With The Stars
Ceu -
Vagarosa
Cheb Khaled -
Liberte
Children Of Nova -
The Complexity of Light
Cristina Branco -
Kronos
Dinosaur Jr. -
Farm
Eluvium -
Life Through Bombardment
Falty DL -
Love Is A Liability
Fen -
The Malediction Fields
Geskia -
Eclipse 323
Greymachine -
Disconnected
Jesu -
Infinity
João Picoito -
Omission
Lightning Bolt -
Earthly Delights
Löbo -
Alma
Long Distance Calling -
Avoid The Light
Louis Sclavis -
Lost on The Way
Maribel -
Aesthetics
Mastodon -
Crack The Skye
Mouse on The Keys -
An Anxious Object
Nihternnes -
The Mouthless Dead
Ochre -
Like Dust of the Balance
Ojos De Brujo -
Aocana
Om -
God is Good
Omar Rodriguez-Lopez -
Despair
Omar Rodriguez-Lopez -
Megaritual
Omar Rodriguez-Lopez -
Xenophanes
Orthodox -
Sentencia
Parov Stelar -
Coco
Passion Pit -
Manners
Pelican -
What We All Come to Need
Polvo -
In Prism
Rega -
Million
Russian Circles -
Geneva
She -
Orion
Sights and Sounds -
Monolith
Sleeping in Gethsemane -
Burrows
Sólstafir -
Köld
SPC ECO -
3-D
Sweet Trip -
You Will Never Know Why
Teeth of the Sea -
Orphaned by The Ocean
The Fall Of Troy -
The Unlikely Event
The Naked Future -
Gigantomachia
Thrice -
Beggars
Thursday -
Common Existence
Tombs -
Winter Hours
Wolf Eyes -
Always Wrong
Yo La Tengo -
Popular Songs

Já ouvidos e com algum potencial para candidatos ao melhor do ano:

Andromeda Mega Express Orchestra - Take Off!
Animal Collective - Merryweather Post Pavilion
Bygones - by-
Cerebral Pain - It's All About Dreams And Nightmares
Dirty Projectors - Bitte Orca
El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez - Cryptomnesia
Isis - Wavering Radiant
Kiran Leonard - Selected Passive Drones, Part II: Organic Journey
maudlin of the Well - Part The Second
Men Eater - Vendaval
Mono - Hymn To The Immortal Wind
Of One Mind - Of One Mind
Pearl Jam - Backspacer
Sonic Youth - The Eternal

Thursday - 1999 - Waiting

Provavelmente a primeira banda de Post-Hardcore que ouvi. Apesar de só conhecer uma cover ("Ever Fallen In Love", dos Buzzcocks) tinha um grande apreço pela banda e afeiçoei-me a ela. Tanto é que tentei várias vezes ouvir álbuns mas nunca cheguei a gostar. Fruto de poucas audições ou ouvido pouco treinado a sonoridades mais cruas e extremas, não sei. Começo agora uma viagem pela discografia da banda. A primeira estação, pelo menos, está grandiosa.

Eu adorei. Fantástico do início ao fim, sem momentos entediantes, rasga qualidade. Apesar da crueza e fraca produção, é um álbum rico em texturas, com violinos, até. A voz é das coisas mais bonitas que ouvi no género, mesmo em termos de berraria. É incrível como é doce e melódica. É tudo muito bom, negro e sentimental. Aprovo.