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Men Eater e Sights & Sounds @ Porto Rio


Eu estive lá e ainda trouxe este poster. Uma boa noite de concertos. Boa, não excelente, o que me desilude. Começando pelo início, os Walking Dead estiveram bem, como banda de hardcore que se preze. Pouca presença, talvez. Gostei. Não conhecia nada da banda, é mais uma para o catálogo de bandas tugas do core, mas que pouco se distinguem em qualidade. Falta inovação, acho que bandas que seguem uma onda devem primar pela diferença. Poucas bandas o fazem, e as que fazem chegam sempre a algum lado.

Os Sights and Sounds meteram-me pena. Gostei muito do álbum deles e do concerto, mas o público meteu-me um elevado nível de fastío. Sinceramente, nos Walking Dead compreendia-se, mas nos S&S? Uma das bandas principais da noite? E o pior ainda estava para vir... Bom, mostraram energia, presença, boa música. Post-Hardcore melódico muito Post-Rockeiro. Gostei da boca "to the motherfuckers in the back who don't know us, we're Sights and Sounds". Bem metida.

Basicamente o público desta noite ficou longe do palco a olhar e a abanar a cabeça enquanto olhavam, estáticos, para as bandas. MESMO em Men Eater. Eu fui para lá a pensar que ía ter um replay do Porto Rio de há três meses, mas não. O público não estava para isso. Os Men Eater também não estiveram a 100%. O baixista e o guitarrista foram substituidos por membros dos If Lucy Fell e Devil In Me, não sei a razão da substituição. O que sei foi que as músicas me estavam a soar dissonantes, era estranho. Parecia que estavam a tocar músicas diferentes ao mesmo tempo... Mas o Mike esclareceu e disse que era a primeira vez que estavam a tocar juntos, por isso estavamos a assistir a um ensaio de Men Eater. É pena. Mas deram um óptimo concerto ainda assim.

Kayo Dot @ Passos Manuel


Óptima noite de concertos. Ansiava por este concerto há semanas e finalmente chegou o grande dia. Toby Driver, Mia e companhia proporcionaram uma grande noite aos seus fãs, com uma setlist invejável, apesar de que podia ter sido melhor no que toca ao meu gosto pessoal. Achei que houve muitos momentos demasiado parados, jams demasiado extensas em que pouco se passava ao longo do tempo e músicas completamente diferentes da gravação de estúdio. Não é que este último seja mau, mas confundiu-me toda a noite.

Valeu a espera e a expectativa estava altíssima. Não sou apologista de ver concertos sentado mas não correu mal, até. Não dava para me passar completamente. Tive pena de estar sentado em músicas como The Manifold Curiosity, Marathon, Gemini ou On Limpid Form. Não eram músicas que pediam relaxamento. O concerto foi dividido em dois. A primeira parte claramente superior à segunda, concentração do melhor de Kayo. Faltaram músicas como Clelia Walking ou Wayfarer, mas superou bastantes expectativas. E ainda trouxe o Choirs para casa.


A primeira parte da noite foi assegurada por um dueto free jazz, João Filipe & Henrique Fernandes que deram um concerto muito bom também. Experimentalismo jazz de vanguarda, muito ruído, camadas, walls of noise, ritmos frenéticos e ambientes bonitos mas tensos, tudo apenas com um contrabaixo e uma bateria. No geral foi uma excelente experiência, um obrigado ao pessoal da AmplificaSom por nos trazer bandas como esta ao Porto.

Men Eater - 2007 - Hellstone


A etiqueta "Os Mastodon Portugueses" assenta que nem uma luva, apesar de eu não gostar deste tipo de apelidos clichés. Não são exactamente como os Mastodon mas a sonoridade deste álbum faz lembrar os tempos Sludge de Blood Mountain, mas mais Doom, misturados com uns reis quaisquer do Post-Rock nacional. Só assim por acaso, os Linda Martini. Muitas semelhanças encontram-se. Tudo se encontra num turbilhão de raiva vocal fantástico que ao vivo ganha proporções 10 vezes mais épicas do que no registo.

É assim. O álbum é perfeito, mas ao vivo torna-se um monstro de energia e raiva. No registo também, mas é mais difícil percepcionar. Não tem faixas más, é variado, é bonito e visceral, monstruoso e delicado, complexo e simples. Enérgico ("Black", "Drive Dead") e relaxante ("Lisboa", "Upon These Walls"). Vale definivamente a pena, aos cépticos acerca da música portuguesa e acerca da qualidade ou falta dela da música em geral.

Drive Dead